Quase todos os fabricantes foram afetados pela COVID-19. As empresas continuam a enfrentar desafios incertos nas suas operações industriais , ao lidarem com o impacto imediato e a alteração na procura dos produtos, garantindo simultaneamente a segurança dos colaboradores. Assistimos a mudanças drásticas no mercado e na economia global.
À medida que os setores, nomeadamente o da indústria transformadora, enfrentam estas mudanças e mudam de rumo para se adaptarem ao «novo normal», é importante ter em mente uma perspetiva de longo prazo. As decisões empresariais tomadas em resposta à crise atual têm de ser ágeis e adaptáveis à próxima crise. Tentar voltar ao «normal» simplesmente não vai funcionar.
Por que razão deve adotar metodologias ágeis?
De acordo com um artigo recente da Harvard Business Review, muitas empresas estão a adotar metodologias ágeis devido à COVID-19.
«Quando a situação de emergência passa, as pessoas tendem a regressar à inovação tradicional de comando e controlo até surgir a próxima crise, altura em que têm de reinventar as abordagens ágeis do zero… [as empresas devem] criar equipas mais ágeis encarregadas de gerar inovações . Comecem a difundir os princípios do método ágil por toda a organização, mesmo nas partes que têm de permanecer burocráticas», refere o artigo.
Um sistema empresarial ágil pode ajudar as empresas a gerar a inovação necessária para sobreviverem a estes tempos de incerteza e para além deles.
Enquanto fabricante que pretende retomar a atividade ou ao avaliar as operações num mundo pós-COVID-19, o que é que isto significa para a sua organização? Uma lição importante a reter aqui é que é necessário adotar metodologias ágeis e sistemas empresariais, independentemente da crise atual. É preciso envolver os colaboradores certos, testar, aprender e adaptar-se. As empresas que não se concentrarem na inovação e não conseguirem adaptar-se ficarão para trás.
O que acontece quando não se adapta à mudança? As suas operações voltarão a enfrentar dificuldades. E na próxima crise que se avizinha, a liderança será responsável pelas encomendas perdidas, pelas paragens de atividade e pelos despedimentos iminentes. É imperativo que as organizações se adaptem e adotem a tecnologia para se tornarem mais resilientes.
O primeiro passo para ser ágil: visibilidade
De acordo com um artigo publicado na IndustryWeek, os projetos que utilizam metodologias de gestão ágil têm seis vezes mais probabilidades de ser bem-sucedidos do que os projetos não ágeis. As empresas que recorrem a equipas ágeis afirmam ser mais produtivas, reduzirem os riscos dos projetos e adaptarem-se às mudanças nas prioridades.
As metodologias tradicionais, como o Lean, o Six Sigma e o Kaizen, são bem conhecidas por conduzirem a mudanças contínuas e graduais; no entanto, se adotar metodologias ágeis, é mais provável que assista a uma inovação rápida.
Como é que se consegue uma cadeia de abastecimento mais ágil? Através da transformação digital e da adoção de tecnologias modernas.
Ainda há várias empresas que não adotaram iniciativas de transformação digital e continuam a depender de processos em papel. Estas empresas enfrentam problemas de imprecisão nos dados recolhidos e atrasos no acesso à informação — o que afeta decisões empresariais críticas. A visibilidade em tempo real dos dados relativos ao pessoal e às máquinas é vital para o sucesso das suas operações de fabrico. E isto é cada vez mais importante num mundo pós-COVID-19.
Por exemplo, com a mudança inesperada na procura e as pressões na cadeia de abastecimento que surgem em situações de crise, o cumprimento dos calendários de produção é extremamente importante. Não é que isso não fosse importante antes, mas a gestão necessita de maior visibilidade sobre a forma como as operações estão a ser executadas. Como podem as equipas fazer mais com menos, à distância e num espaço de tempo mais curto? Os gestores precisam de tempo para reagir ou atribuir recursos, de modo a garantirem que conseguem satisfazer a procura. Com uma rede ágil que recebe constantemente informações atualizadas, reduz-se o tempo de execução e proporciona-se visibilidade e controlo sobre a circulação de bens e serviços.
Como tomar decisões ágeis no chão de fábrica
A produção ágil e flexível requer tecnologia digital conectada para responder rapidamente às exigências em constante mudança do mercado e acesso a dados para tomar decisões críticas. Uma vez que os sistemas de produção podem, muitas vezes, ser complexos, isto exige a integração de sistemas díspares em todas as operações. Especialmente durante a pandemia da COVID-19, constatámos a necessidade de dispor de informações detalhadas sobre todo o chão de fábrica.
Enquanto diretor de fábrica que já não pode circular pelo chão de fábrica, como é que consegue permitir que a sua equipa tome decisões ágeis no chão de fábrica a partir de remoto?
1. Garantir a segurança e o cumprimento das normas – Com o reforço das precauções de segurança no local de trabalho, as empresas estão a adotar novas medidas de saúde e segurança para os colaboradores, como a implementação de procedimentos operacionais normalizados (PON) que integram verificações de segurança nos fluxos de trabalho dos colaboradores. Os colaboradores podem receber lembretes para lavar as mãos ou utilizar o equipamento de proteção individual (EPI) necessário ao longo do seu turno.
Enquanto gestor, provavelmente já não pode circular tão livremente pelo chão de fábrica para garantir o cumprimento das normas por parte dos trabalhadores. No entanto, pode utilizar tecnologia de trabalhadores conectados para recolher dados dos trabalhadores e aceder a painéis analíticos para validar e analisar, em tempo real, o cumprimento das verificações de segurança, ou identificar quaisquer desvios que devam ser resolvidos atempadamente.
2. Capacite a sua equipa para tomar melhores decisões – Forneça à sua equipa as informações e os dados certos para que possam tomar melhores decisões. Em ambientes tradicionais, os trabalhadores da linha da frente muitas vezes não conseguem perceber quando estão atrasados na produção. Normalmente, esperam que o seu gestor os avise de que estão atrasados e lhes peça para acelerarem o ritmo.
Com a tecnologia de trabalhadores conectados, os trabalhadores da linha da frente podem ver em que ponto se encontram na execução global do trabalho. Se perceberem que estão atrasados, podem tomar decisões proativas para recuperar o tempo perdido. Os trabalhadores conseguem gerir-se a si próprios, em vez de ficarem à espera que o seu gestor lhes diga o que fazer. Os gestores têm visibilidade total sobre o trabalho que está a ser executado, quem concluiu a tarefa, quando a concluiu e quanto tempo demorou.
3. Gerir problemas remotamente – Os diretores de fábrica podem gerir problemas remotamente e reduzir o tempo de reação quando surgem dificuldades. Antes da COVID-19, quando um trabalhador se deparava com um problema, podia recorrer à equipa de engenharia no local para que esta analisasse a situação. Agora que é provável que esses engenheiros estejam a trabalhar à distância ou não possam deslocar-se com a mesma liberdade devido às medidas de distanciamento social, como é que os trabalhadores podem contactá-los? Com a tecnologia de trabalhadores conectados, um trabalhador pode notificar os membros adequados da equipa e colaborar com eles, fazer perguntas e resolver problemas utilizando a funcionalidade de chat – tudo isto à distância.
Nesta altura, é preciso perguntar-se: como é que pode adaptar-se face à atual situação de perturbação e preparar-se para o que se segue? Rapidez, flexibilidade, agilidade, transparência e acesso aos dados são fundamentais.
Como temos constatado com vários dos nossos clientes, as empresas que adotam tecnologias para trabalhadores conectados têm-se revelado mais resilientes durante estes tempos difíceis.
Os fabricantes precisam de ferramentas que ajudem os seus colaboradores a colaborar e a manterem-se ligados entre equipas e locais, especialmente agora que estão a ser implementadas medidas de distanciamento físico e de segurança mais rigorosas para os colaboradores. As ferramentas de colaboração digital desempenharão um papel fundamental, permitindo que os colaboradores se adaptem a situações em rápida mudança, sem deixar de desempenhar melhor as suas funções e de otimizar os processos ao longo do processo.











