O termo «Indústria 4.0» tem vindo a ganhar bastante destaque ultimamente. Tanto destaque, de facto, que, de acordo com as análises da Buzz Sumo, nos últimos 30 dias, a palavra-chave foi mencionada na Internet pública mais de 4 000 vezes. Muitas vezes, esta expressão é associada a outro termo de uso comum – a Internet das Coisas (IoT) –, que, por sua vez, foi mencionado mais de 16 000 vezes. Ao longo de um período de 30 dias, estes dois temas foram discutidos um total de 20 000 vezes. Devo referir que isto não inclui interações nas redes sociais, comentários ou vídeos. Certamente, incluir estes dados elevaria as estatísticas para a casa das 100 000. Ao tomar conhecimento disto, qualquer pessoa minimamente curiosa sentir-se-ia levada a perguntar: por que razão é que estes temas são tão importantes e por que razão as pessoas continuam a falar deles?

Bem, vamos começar pelo início. A Internet das Coisas (IoT) refere-se aos sensores e atuadores incorporados em objetos físicos que estão ligados através de redes com e sem fios pela Internet. Estes sensores atuam de forma independente para enviar e receber dados para pessoas e outras máquinas (especialmente canais de informação e bases de dados).

A Indústria 4.0, também conhecida como a Quarta Revolução Industrial, representa a visão da nova onda de tecnologia das «fábricas inteligentes» que está a ganhar terreno no setor da produção. Pode considerar-se a Indústria 4.0 como um termo que designa a ligação entre seres humanos e máquinas num processo de autoaprendizagem. No chão de fábrica, uma abordagem orientada pela Indústria 4.0, que envolve sensores, software, seres humanos, máquinas e robôs, poderia tomar medidas corretivas para evitar danos, agilizar reparações e muito mais.

Com estes dois temas definidos, pensa-se frequentemente que, devido à proeminência da IoT, estes sensores de IoT são um fim em si mesmos. Na essência, é precisamente o contrário. Os sensores de IoT são simplesmente algumas das peças que compõem a Indústria 4.0. A Indústria 4.0 representa uma mudança radical mais ampla na produção industrial, onde os sistemas ciberfísicos requerem, sem dúvida, sensores, mas é evidente que uma estratégia de sucesso envolve muito mais do que isso. Um pouco confuso? Aqui estão três razões pelas quais precisamos de encarar a Indústria 4.0 como a força motriz por trás do movimento de digitalização da produção, enquanto a IoT é simplesmente uma peça no conjunto de componentes.

1. A IoT constitui os alicerces essenciais de um movimento mais vasto

A Internet das Coisas representa um elevado volume de sensores e circuitos de retroalimentação com potencial para transmitir informação e acrescentar valor ao processo de fabrico. Esta base marcou o início do processo de digitalização para muitas empresas, com a esperança de que esses sensores e as suas leituras de dados ajudassem pessoas e máquinas a trabalhar em harmonia. A Indústria 4.0 requer, portanto, claramente a IoT, mas esta continua a ser um primeiro passo bastante insatisfatório para a maioria das empresas, uma vez que as máquinas geram dados, mas nenhuma das medidas necessárias para efetuar a mudança foi implementada.

2. A interface homem-máquina tem prioridade

À medida que o movimento de digitalização continua a crescer e a ganhar impulso, torna-se cada vez mais evidente que é a Indústria 4.0, e não a Internet das Coisas, que impulsiona a integração harmoniosa do trabalho humano e do trabalho das máquinas em processos empresariais contínuos e unificados. A Interface Homem-Máquina é a solução fundamental para que isso aconteça: os dispositivos robóticos compatíveis com a IoT utilizados no chão de fábrica podem ser configurados de forma a atuarem como nós em todo o sistema. As máquinas conectadas também contêm sensores complexos, por vezes mais do que um por máquina, que se ligam a redes para partilhar informações sobre o seu estado, fornecendo dados em tempo real sobre tudo, desde a temperatura até aos tempos de conclusão das tarefas. Assim que estas informações forem combinadas com dados do trabalho humano — incluindo informações sobre a conclusão de etapas, a resolução colaborativa de problemas e os desafios encontrados durante a execução —, todo o processo pode ser analisado e melhorado.

3. A melhoria contínua só se concretiza com o envolvimento humano

No fim de contas, a situação é comparável ao dilema do ovo e da galinha. O que veio primeiro e o que é mais importante? Os sensores são necessários para uma estratégia da Indústria 4.0 e pode-se argumentar que surgiram primeiro. No entanto, um fluxo de dados de sensores não é útil se não for combinado com a atividade humana para extrair significado, ação e melhorias desses sinais digitais. As máquinas em qualquer processo funcionarão simplesmente até avariarem, ficarem sem consumíveis ou serem desligadas. Os seres humanos continuam a estar no comando da Indústria 4.0 e desempenham a função vital de autorreflexão sobre o trabalho que realizam, com vista a melhorar todo o processo em que atuam.

Embora a Internet das Coisas tenha um valor imenso, as fábricas inteligentes terão de continuar a combinar os dados fornecidos pelos sensores da IoT com a recolha contínua de dados resultante do trabalho dos trabalhadores humanos (Indústria 4.0). Se está a lamentar o seu investimento na IoT, não se preocupe. Estão a chegar ao mercado soluções completas, como a Parsable, que tornam possível concretizar a promessa da IoT e a visão da Indústria 4.0.