À medida que as empresas do setor industrial começam a passar da crise para a recuperação, precisam de se adaptar às mudanças e adotar tecnologia para se tornarem mais resilientes. E os trabalhadores da linha da frente na indústria constituem o coração das nossas cadeias de abastecimento. Qualquer produto que esteja em grande procura e seja considerado essencial, especialmente durante esta pandemia, não chegaria às mãos de ninguém sem que a enorme força de trabalho da linha da frente nas fábricas se apresentasse todos os dias para desempenhar as suas funções, assumindo riscos ao longo do caminho. Como estamos a apoiar estes trabalhadores, tendo em conta que desempenham um papel tão importante neste período de crise?

Existem várias medidas que as empresas podem tomar para reforçar a resiliência dos seus esforços de transformação digital, agora que entramos na fase de recuperação e reconstrução.

1. Adotar uma cultura de resiliência

Num contexto de produção, a resiliência diz respeito à capacidade de recuperar de dificuldades e perturbações. Tendo em conta a situação atual, trata-se de disponibilizar os mecanismos necessários para restabelecer as operações de forma viável, garantindo simultaneamente a segurança dos trabalhadores. Deve procurar promover as interações em vez de as limitar, mas é importante fazê-lo de forma segura.

Isto significa ser capaz de promover a colaboração entre equipas e permitir que os trabalhadores interajam, mantendo uma distância segura entre si e respeitando o distanciamento social. À medida que os colaboradores não essenciais da fábrica trabalham a partir de casa, precisam de uma forma de contactar os trabalhadores da linha da frente, que não dispõem de postos de trabalho fixos. As equipas precisam de poder comunicar e colaborar entre si, uma vez que, atualmente, nem todos os colaboradores estão a trabalhar sob o mesmo teto.

A tecnologia — mais concretamente, a tecnologia para trabalhadores conectados — pode ajudar os fabricantes a alcançar este objetivo.

A tecnologia do trabalhador conectado liga os trabalhadores industriais da linha da frente às pessoas, à informação, aos sistemas e às máquinas, com o objetivo de melhorar a segurança, a produtividade e a qualidade em todas as operações.

Além disso, a tecnologia de trabalhadores conectados recolhe dados sobre a atividade humana, proporcionando aos gestores da fábrica um maior acesso ao que se passa no chão de fábrica. A tecnologia permite identificar obstáculos e apurar ou revelar os fatores que os podem estar a causar. Dispor desse nível de informação pode ajudar os gestores a ajustar e controlar melhor os fluxos de trabalho globais e a manter a produção a avançar ao ritmo necessário e com a qualidade de trabalho exigida, de modo a cumprir as quotas e as expectativas dos clientes.

2. Novas oportunidades para expandir as operações 

À medida que se prepara para acelerar o ritmo da sua organização para recuperar o tempo perdido, a capacidade de dar formação transversal aos seus colaboradores e adotar horários de turnos mais flexíveis é fundamental. Estamos a assistir a situações em que medidas como o distanciamento social e a flexibilidade dos turnos estão a ser geridas digitalmente.

Os trabalhadores da linha da frente precisam de receber formação rápida sobre novas tarefas, uma vez que as empresas estão a acelerar rapidamente a formação cruzada dos colaboradores para permitir uma força de trabalho mais flexível, tendo em conta o aumento da mão-de-obra temporária. Como as fábricas ainda não estão a funcionar com a capacidade total de trabalhadores, é importante garantir que os seus colaboradores recebam formação adequada, uma vez que lhes podem ser atribuídas responsabilidades novas ou diferentes. Em vez de ter alguém a dedicar-se exclusivamente à manutenção, às mudanças de linha de produção ou às tarefas de limpeza, inspeção e lubrificação (CIL), pode adotar a tecnologia digital para formar mais colaboradores para a realização de múltiplas tarefas.

A tecnologia para trabalhadores conectados pode ajudar a orientar as pessoas a realizarem o seu trabalho de forma eficaz e precisa, o que é importante para tantas organizações à medida que se reorientam e adotam processos mais ágeis.

Para os trabalhadores da linha da frente que possam vir a assumir responsabilidades novas ou diferentes, dispor de instruções de trabalho digitais e multimédia, bem como da colaboração em tempo real com equipas fora do local de trabalho através de mensagens SMS, vídeos, fotografias e outros meios, facilita a transferência de conhecimentos.

Muitas empresas têm vindo a adotar medidas adicionais de manutenção preventiva durante este período. Devido às alterações na frequência dos turnos de trabalho, alguns fabricantes reduziram o ritmo das linhas de produção por razões de segurança, para que se possam concentrar na manutenção preventiva autónoma. Além disso, a pandemia veio realçar a necessidade de intensificar as atividades de manutenção durante os períodos de inatividade, com vista a melhorar a fiabilidade no futuro, aumentar a produtividade e diminuir a potencial exposição à COVID-19.

3. A segurança é a prioridade n.º 1

A segurança sempre foi um tema em destaque; no entanto, ganhou ainda mais importância durante a pandemia da COVID-19. Os trabalhadores da linha da frente, que se deslocam ao trabalho dia após dia, não têm a possibilidade de ficar em casa e isolar-se durante este período. O que está a sua empresa de produção a fazer para proteger os trabalhadores essenciais?

Tem havido muita discussão sobre como manter o distanciamento social no ambiente de produção, como a sinalização das áreas de trabalho, a integração do distanciamento social nas instruções de trabalho digitais e o escalonamento dos turnos para minimizar o número de colaboradores no chão de fábrica. Várias empresas com quem falámos estão a experimentar sistemas de sinalização por Bluetooth, para que se possa ser alertado através de um dispositivo vestível ou móvel caso alguém se aproxime demasiado.

As empresas também podem recorrer à tecnologia de trabalhadores conectados para realizar uma triagem prévia dos colaboradores. Há várias medidas que um trabalhador pode tomar antes de se deslocar ao local de trabalho, incluindo o registo das medições de temperatura. Os colaboradores também podem preencher um questionário através do seu dispositivo móvel e responder a perguntas básicas antes de chegarem ao trabalho.

Se um colaborador tiver um resultado positivo, o que fazer? Uma vez que tem acesso a todos estes dados, pode começar a realizar o rastreio digital de contactos. Com quem esteve em contacto nos últimos 14 dias, qual foi a duração desse contacto, em que local das instalações ocorreu esse contacto? Assim, se for necessário fazer uma limpeza profunda, saberá onde intervir sem ter de encerrar todas as instalações.

Para além da própria adesão às normas de segurança, como é que se pode alargar a aplicação dos procedimentos de segurança a toda a organização? Para as grandes empresas, implementar novos protocolos de segurança uma fábrica de cada vez — cada uma das quais pode demorar meses a implementar — simplesmente não é uma opção neste momento em que cada dia traz incertezas. A tecnologia pode desempenhar um papel fundamental para garantir que os procedimentos sejam implementados em grande escala, numa questão de dias.

O formato digital promove a responsabilização, algo que não se verifica nos procedimentos em papel.

Tudo isto só será possível se conseguirmos uma adesão de 100% por parte dos trabalhadores. Podemos alcançar este objetivo dotando os trabalhadores da linha da frente de ferramentas digitais modernas e garantindo que a recolha de dados em tempo real no chão de fábrica seja uma experiência simples e intuitiva para eles.

Estamos agora a entrar numa nova fase da indústria transformadora. A pandemia global levou os fabricantes a reavaliar a forma como conduzem as suas operações. As empresas que sairão desta situação mais resilientes são aquelas que compreendem a importância do papel dos trabalhadores humanos e do investimento em tecnologia centrada nas pessoas.